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quarta-feira, 9 de maio de 2018

Sol, verão e Sangria!

  A trilogia dos drinks coletivos viajou pela Índia para falar sobre o Ponche e agora desembarca na Espanha, local visitado por milhões de turistas, anualmente, que vão à procura de belíssimas paisagens, alta gastronomia e bebidas icônicas.

Parte 2

  Sangria, nascida na Espanha e reinventada na América do Norte




                                      
 

  O nome Sangria vem da palavra espanhola sangre, que em português significa sangue; esse drink foi assim batizado por sua cor vermelha intensa. É sempre bom lembrar, que apesar do nome, a Sangria nem sempre é feita com vinho tinto, hoje em dia, ela pode ser feita com vinho branco, com Cava (espumante espanhol) e até mesmo com cidra.
  A história nos conta que os romanos conquistaram a Península Ibérica há mais de 2000 anos atrás e foram plantando parreiras por todo o território dominado, introduzindo novas qualidades de uvas e melhorando as técnicas de produção vinícolas. Naquela época, a água era impura e os vinhos produzidos eram de má qualidade; então, para matar as bactérias e tornar a água potável, era comum "fortificá-la" adicionando álcool e para tanto usavam o vinho. Como consequência nasceram, assim, as primeiras Sangrias - da mistura improvável de água insalubre, vinho de má qualidade, ervas e especiarias (essas últimas eram usadas para disfarçar o péssimo sabor do "vinho de mesa" da época).
  Por volta 1800 a Sangria foi introduzida nas Américas e sua aparição oficial nos Estados Unidos aconteceu em 1964, quando foi servida para os visitantes da Feira Mundial de Nova Iorque, no Pavilhão da Espanha. A partir de então, esse drink se tornou moda, ganhou fama mundial e hoje é servido em bares e restaurantes por todo o planeta, com as mais diferentes versões e receitas.
  

  Tinto de Verano ou Sangria?

  Na Espanha, existe um drink simples e barato, chamado Tinto de Verano que muitas vezes é vendido para os turistas como se fosse Sangria, então, quando você estiver na terra da paella e do jamón, e quiser tomar uma autentica Sangria, não se deixe enganar e pergunte ao garçon quais são os ingredientes que compõem a bebida.
  
Receita de *Tinto de Verano

  Esse drink leva apenas vinho tinto, gelo, soda limonada (ou **La Casera que, que é uma marca de soda espanhola) e em alguns restaurante é também adicionado vermute e rodelas de laranja e limão.
  
  *Tinto de Verano


                                           



**La Casera

                                               






  Receita de Sangria Tradicional

  Essa bebida, hoje, é protegida pelas leis europeias e só poder ser chamada de Sangria se for feita na Espanha ou em Portugal, ela deve ter menos de 12% de graduação alcoólica, porém,  fazer esse drink  em casa é super fácil, delicioso e divertido; é perfeito para uma reunião com amigos, uma festa despojada, um dia de sol na piscina ou para o momento que você quiser.

  Ingredientes:
  
  1 1/2 garrafa de vinho tinto de mesa que seja jovem
  2 laranjas
  1 limão
  1 canela em pau
  3 colheres de sopa de açúcar (opcional)
  1 maça verde (opcional)
  2 pêssegos (opcional)
  Bebida carbonatada - exemplo: soda limonada, água com gás, etc. (opcional) 
  
  Modo de preparo: 

  Corte algumas fatias de laranja, reserve. Com restante faça um suco.
  Corte algumas fatias de limão, reserve. Com o restante faça um suco.
  Se quiser utilizar o açúcar para deixar a Sangria mais adocicada, primeiro, é necessário dissolvê-lo em 2 colher de sopa de água, em fogo baixo, até criar um xarope simples de açúcar, tipo uma calda bem clarinha.
  Pique a maça e o pêssego em pedaços (caso vá utilizá-los).
  Em um bowl ou em uma jarra, adicione o vinho, os sucos de laranja e limão, o xarope de açúcar, os pedaços das frutas, a canela em pau e deixe descansar na geladeira por, pelo menos, duas horas (o ideal é deixar durante umas 12 horas).
  Na hora de servir agregue gelo e, se quiser, coloque também a bebida carbonatada.
  A partir da base dessa receita clássica, você pode criar a sangria que quiser, seja incluindo outras frutas ou fortificando o vinho com conhaque ou vermute, a imaginação desconhece limites.

  Utensílios para servir Sangria

                                  
  A jarra é o melhor recipiente a ser usado na preparação e no serviço dessa bebida. A abertura não muita larga na boca da jarra, ajuda a controlar a quantidade de frutas a ser servida em cada copo/taça. Esse drink pode, também, ser servido em bowl, sempre com a ajuda de uma concha.
*Tradicionalmente na Espanha é usada uma colher de madeira de cabo longo para misturar as frutas dentro da jarra.
  O copo ou taça utilizados para tomar a sangria deve ser largo e alto o suficiente para comportar o volume de  Sangria, de frutas picadas e de gelo. Dentro desse padrão, pode ser usado qualquer tipo de copo/taça.

  Harmonização

  O doce e o frutado da Sangria fazem uma excelente combinação com comidas condimentadas. 
  Paella e Sangria são pares perfeitos!

                                     


                                                                     Buen  provecho!




























  



  



quinta-feira, 15 de março de 2018

Ponche, Sangria e Clericot: suas histórias, diferenças e similaridades.

  Vamos embarcar na trilogia dos drinks coletivos que devem ser compartilhados e que nos remetem a festas, amigos, boas conversas, risadas e alegria.

Parte 1

  Ponche, da Índia para o mundo



  A data e o local da invenção dessa bebida não são, até hoje, precisamente conhecidos. Deduz-se que foi inventada na Índia por um britânico.
  Sabe-se que o ponche é considerado o primeiro coquetel da história, e que em sua receita original havia entre quarto e cinco ingredientes principais.

  O que nos conta a história

  O americano, David Wondrich, que é uma das maiores autoridades conhecedoras da história da coquetelaria e da coquetelaria moderna, narra em seu livro chamado "Punch", o provável surgimento dessa bebida: " Punch começou graças aos comerciantes britânicos no leste da Índia, até onde sabemos. Os registros são bastante fracos sobre esse tipo de coisa, mas os marinheiros ingleses ficaram sem cerveja e acabaram com o vinho. Você não pode ter um barco cheio de ingleses e não ter nada para beber. Então, algum teve a brilhante ideia: e se fizéssemos vinho artificial a partir de destilados? Quando chegaram à Ásia Oriental e sul da Ásia, todos bebiam destilados, que eram amplamente disponíveis: Batavia Arrack* na Indonésia e Arrack de coco* na Índia. Alguém disse que sim, vamos pegar isso e fazer virar vinho novamente, mas como faremos isso? Você coloca a acidez de volta no destilado, então você usa o suco de limão; tem que adoçar para equilibrar - eles gostavam de vinhos doces naquela época - e acho que, o mais importante, você precisa diluir novamente, por isso coloca a água. O resultado é algo com a potencia alcoólica do vinho. Você pode fazer esse vinho artificial com coisas que estão à mão, que estão sempre disponíveis ou o que está disponível em cada local e fica delicioso. Isso começou no início dos anos 1600 com esses comerciantes britânicos."

  *Arrack - bebida destilada produzida tipicamente no Sul e Sudeste da Ásia feita a partir da seiva fermentada das flores do coco, cana de açúcar e grãos ou frutas, dependendo do país de origem. Seguem imagens das bebidas:

 
  
  Possíveis origens para o nome

  Existem algumas hipóteses para que essa bebida fosse batizada com o nome de ponche, e duas delas estão entre as mais aceitáveis.
  A primeira hipótese (considerada uma crença popular) diz que o nome "punch" é originário de uma palavra hindi e quer dizer "cinco", fazendo referencia ao número de ingredientes que leva esse coquetel em sua forma original, a saber:
1 - Limão, que traz o azedo;
2 - Açúcar, que traz o doce;
3 - Arrack, Rum ou Conhaque, que são os destilados;
4 - Noz moscada, que é a especiaria e
5 - Água, usada para diluir os destilados.
  A segunda hipótese diz que o nome "punch" vem do tonel que era usado para armazenar essa bebida, cujo o nome era Punchon. (Esse tipo de tonel é usado até hoje na indústria do Rum.)

A disseminação, a decadência e a volta por cima do ponche pelo mundo

  O ponche chegou até a Inglaterra através dos marinheiros e após algum tempo, alguma sofisticação e devido ao aumento no preço do Rum, esse coquetel passou a ser o preferido da aristocracia britânica por mais de 100 anos e a partir daí, ganhou o mundo.
  Em meados do século XIX, na era vitoriana, o ponche, infelizmente saiu de moda. As pessoas passaram a beber moderadamente e assim foram aposentados os "bows" ou grandes tigelas usadas para servir as bebidas. Além disso, não havia mais tempo para ociosidades, as pessoas passaram a ser muito ocupadas e ficar sentado em um estabelecimento conversando e apreciando uma bebida durante horas já não era mais possível.
  Recentemente o ponche ressurgiu das cinzas direto para a elite. Grandes bares e restaurantes da Europa e Estados Unidos voltaram a servi-lo para delírio dos que apreciam compartilhar bebidas, conversas e memórias.

Utensílios para servir ponche

  O ponche é preparado e servido em um grande bow ou tigela; uma concha auxilia no serviço e são usadas canecas ou copos bojudos para beber o coquetel.


  Receita clássica - Ponche de Rum

1 shot de suco de limão espremido na hora
2 shots de xarope de açúcar
3 shots de Rum
4 shots de água
1 pitada de angostura

  Misturar todos os ingredientes colocar em um copo com bastante gelo e acrescentar a angostura. Lembrando que essa quantidade serve apenas 01 pessoa.

  Existem milhares de receitas e modos de preparo de um ponche, escolha a que te fizer  mais feliz e compartilhe horas agradáveis bebendo e conversando com seus amigos e familiares.

  Na próxima postagem iremos até a Espanha, conhecer mais sobre a Sangria.














































































quarta-feira, 27 de abril de 2016

A moda do SPRITZ!


  Continuando a viagem pelo mundo dos drinks, coquetéis e aperitivos, ainda permanecendo na Itália, com o intuito de matar a sede, refrescar e abrir o apetite, vou falar sobre o aperitivo que nunca sai da moda, o Spritz.

História 
 
  Acredita-se que esse aperitivo alcoólico foi inventado no norte da Itália, no século XIX, durante o período de dominação austríaca.

   Diz a lenda que os soldados austríacos não gostavam do sabor dos vinhos italianos, pois eram muito alcoólicos naquela época, então eles pediam para que se borrifasse ao vinho um pouco de água (em alemão, a palavra SPRITZEN significa borrifar, e vem daí o nome desse aperitivo).

   O spritz tradicional, nada mais é que a mistura de água com gás e vinho, seja ele branco ou tinto. Como aperitivo "pre-dinner", o spritz nasceu entre os anos 20 e 30, nas cidades de Padova e Veneza, quando o bitter foi acrescentado ao spritz tradicional. Essa bebida foi primeiramente apresentada na Feira Internacional de Padova, no ano de 1919.

  O bitter mais famoso acrescentado ao Spritz, é o Aperol. Essa bebida, que tem uma cor laranja brilhante, foi criada em Padova, pelos irmãos Barbieri e sua receita continua sendo um segredo até os dias atuais. Sabe-se, apenas, que se trata de uma infusão de ingredientes selecionados, laranjas doces e amargas, além de várias ervas e raízes, tudo na proporção correta.

  Hoje a marca Aperol, pertence ao grupo Campari.

 
 

O oficial e suas variações

  O Spritz é um aperitivo alcoólico, a base de prosecco, bitter e água frisante ou água de *Seltz (que é uma água altamente gaseificada, proveniente de um sifão), e sua receita oficial consta da Associação Internacional de Bartenders.


*Água de Seltz


 Vamos à ela!

Aperol Spritz

Receita:

60 ml de Prosecco
40 ml de Aperol
Uma borrifada de soda ou água de Seltz

Preparo: colocar o prosecco em um copo tipo old fashioned contendo gelo, colocar o bitter e por fim, água frisante; para a decoração, usar meia fatia de laranja.





  Com o passar dos anos, essa bebida foi sendo difundida por toda a Itália e foi ganhando diferentes ingredientes em diferentes cidades e com diferentes graduações alcoólicas, como por exemplo:

 - Em Treviso: o spritz é preparado misturando-se prosecco, água de seltz , um bitter (que pode ser o Campari, ou o Aperol ou o Cynar), e para finalizar, adiciona-se ao copo uma rodela de laranja, ou limão, ou ainda uma azeitona.
                                                               
*Spritz de Treviso



Na região do Alto Adige: o Spritz mais difundido é aquele da época austríaca, ou seja, com vinho branco e água frisante, sem a adição de um bitter. Uma variante do Spritz muito difundida nessa região é chamada de Hugo.

Receita do Hugo - o Spritz do Alto Adige:

60 ml de Prosecco
60 ml de club soda
30 ml de xarope de Elderflower (feito de uma planta chamada sabugueiro, confere perfume, amargor e toques de mel ao Hugo)
Folhas de hortelã

Preparo: colocar todos os ingredientes em uma taça tipo Bordeaux, acrescentar muito gelo e fatias de limão para decorar.

*Spritz do Alto Adige



 Não importa qual versão seja a escolhida, o que importa, é que, esse que já foi eleito o "drink do momento" pela revista The New York Times, é considerado um clássico no mundo da coquetelaria e possui todos os ingredientes para conquistar cada vez mais adeptos pelo mundo.

  Chique mesmo é apreciar um bom SPRITZ, faça chuva ou faça sol!

 

  






domingo, 22 de novembro de 2015

Negroni, o rei dos aperitivos!

Drinks, coquetéis e bebidinhas são, sempre, uma ótima companhia. Escolhi dedicar algumas postagens para coquetéis e drinks que considero especiais; quero com isso, fazer um "rio x" por todos eles: desvendar seus segredos, contar suas histórias, falar sobre sua origem, explicar como são feitos, quais são suas variações, e, enfim, provocar a vontade de degustá-los!

Começo essa viagem pela bela Itália! País que tem destaque mundial no que se refere:

-  à moda (Gucci/ Prada/Armani/Valentino/Ferragamo/etc.);

- à arte renascentista (Michelangelo/Leonardo da Vinci/ Botticelli/Giotto/etc.);

- à arquitetura (Coliseo de Roma/Duomo de Firenze/Torre de Pisa/Catedral de Siena/etc.);

- ao setor automotivo (Ferrari/Lamborghini/Maserati/Alpha Romeo, etc.);

- à gastronomia (massas, pizzas, queijos, azeites, salumerias/charcuterias, trufas, comidas regionais, etc.);

- às bebidas, principalmente, com relação aos vinhos (Barolo, Barbaresco, Brunello, Super Toscano, Amarone, Chianti, Prosecco, etc.);

- aos bitters: bebida alcoólica com sabor de essências herbais, caracterizada por um sabor amargo ou agridoce. (Campari, Aperol, etc.);

- aos vermutes: bebida alcoólica à base de vinho com adição de flores e ervas aromáticas (Martini, Cinzano, Carpano, etc.);

- e, claro, que não poderiam faltar os famosos coquetéis e drinks, tais como:  Spritz, Rossini, Bellini, Hugo, Negroni, etc.

Negroni: para estimular o apetite!

Não tem nada mais gostoso do que tomar uma bebidinha antes de começar uma refeição, os aperitivos são super apropriados para isso, e nada melhor que um Negroni para abrir os trabalhos.
Aperitivos são considerados "pre-dinners", podem ser bebidas alcoólicas ou não alcoólicas, que servem para estimular o apetite.


A história do Negroni

A história do Negroni começa em Firenze/Florença, entre os anos de 1917 e 1920, quando o aperitivo mais popular da época era o chamado "Americano" (composto por partes iguais de Campari - que é um bitter; vermute vermelho e soda).
Ao voltar de uma longa viagem feita para a Inglaterra, o Conde Camillo Negroni, personagem fascinante da época, e que era frequentador assíduo do Caffè Casoni de Firenze, cansado de pedir sempre pelo mesmo aperitivo "Americano", propôs ao barman Fosco Scarselli que substituísse a soda pelo London Dry gin, ele queria homenagear Londres, a pátria do gin.
Assim nasceu o Negroni.

Conde Camillo Negroni

A receita da bebida permanece famosa e inalterada até os dias de hoje; já o Caffè Casoni, não teve a mesma sorte, encerrou suas atividades nos anos 30. O local se transformou no Caffè Giacosa, comprado, recentemente, pelo conhecido estilista Roberto Cavalli.

                                                              Caffè Giacosa

 **Para quem estiver em Firenze e quiser conhecer onde nasceu o rei dos aperitivos, o Caffè Giacosa fica na esquina da Via Tornabuoni com a Via della Spada.

A receita

Negroni é um aperitivo seco e amargo, que demonstra toda sua elegância em sua extrema simplicidade. É composto por três partes iguais de três bebidas, sendo que duas delas (o vermute e o bitter) são de origem italiana.

Composição:
30 ml de vermute vermelho
30 ml de bitter Campari
30 ml de gin
Prepare o aperitivo diretamente no copo.
Coloque gelo no copo, para resfriá-lo, escorra a água, coloque os ingredientes (bebidas) e misture-os.
Decore com uma fatia de laranja.

Onder servir

O copo usado para servir essa bebida, é o copo Tumbler, também conhecido como Old-Fashioned, Lowball ou On The Rocks. É um copo baixo e pesado, ideal para servir bebidas fortes, com pouco ou nenhum gelo.



Com que pratos combinar o Negroni

Apesar de ser um pre-dinner, o Negroni pode, também, ser harmonizados com certos tipos de pratos. Esse aperitivo é encorpado e duro, pede pratos ricos, com especiarias e condimentos.

Que tal harmonizá-lo com um Bife Wellington?


O Negroni também é uma ótima companhia para o Brasato di Manso (ou refogado de carne).



As variações do aperitivo

Assim como quase todos os coquetéis, o Negroni também tem suas variações, e a mais conhecida delas é o "Negroni Sbagliato" (em italiano, a palavra sbagliato quer dizer "errado").
Essa variação foi inventado no início dos anos 70, na cidade de Milão, no Bar Basso.

 
** Para quem estiver em Milão e quiser beber "o Sabagliato" em seu local de nascimento, o Bar Basso fica na Via Plinio, 39.

O responsável pela inovação no coquetel, foi o bartender Mirko Stocchetto, ele manteve a receita de base (com Campari e Vermute) e substituiu o gin pelo espumante brut.
O coquetel se tornou moda em Milão e renovou a imagem um pouco antiga do então Negroni.
Hoje, o "Sbagliato" é apreciado em todo mundo, principalmente por ser um aperitivo mais leve e refrescante, ideal para ser degustado em dias mais quentes.


Agora é só escolher entre "o certo" e "o errado" e SALUTE!

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Vodka - Parte II: Vodkas, para que te quero!

Luxos, frivolidades e afins

Assim como muitas outras bebidas alcóolicas, a vodka tem seu lugar cativo no mercado de luxo.
Com a redução do interesse pelas vodkas aromatizadas, as marcas estão diminuindo os sabores chicletes, pipoca, chantilly, etc., e substituindo por extensões de luxo.
A demanda por produtos premium tem aumentado, o que demonstra que o público está preferindo produtos de melhor qualidade e que lhe conferem status.
Apresento, a seguir, algumas das marcar de vodka mais luxuosas do mercado nos dias atuais:

*elit por Stolichnaya





A vodka Stolichnaya, lançou em 2013 a elit, em 03 versões: a Himalayan Edition, a New Zeland Edition e a Andean Edition, todas custando US$ 3.000,00. Essas vodkas exploram a forma como a água de diferentes fontes afeta o sabor desse destilado. Figuram entre as mais caras, raras e luxuosas vodkas do mundo.








*Grey Goose VX




A Bacardi entrou na categoria de destilados híbridos em 2014, com a Grey Goose VX, uma mistura ultra-premium de vodka com gotas de conhaque fino.








*Absolut Elyx






Outra marca que embarcou no mercado de luxo foi a Absolut, com a  Elyx. Sua produção completamente artesanal, é feita com trigos selecionados e destilada em barris de cobre para preservar a purificação.








*Cîroc Ten





A Cîroc Ten custa US$ 250,00. Contém uma mistura de uvas francesas nobres, incluindo as primeiras uvas da colheita de 2013.








*Smirnoff White








O portifólio da Diageo revelou a Smirnoff White. Filtrada em baixas temperaturas (-6º C), ela representa a última inovação no mundo das vodkas.











*Kauffmann Luxury Private Collection





Essa vodka é produto de trigos de uma só colheita, é destilada 14 vezes e filtrada duas vezes, na primeira filtração usa-se o carvão e a segunda filtração acontece através de areia de quartzo.




*Beluga Allure







Essa vodka russa é feita a partir de uma receita especial com xarope de bordo (maple syrup) e extrato de figo. Após os ingredientes serem adicionados, o líquido descansa por 60 dias antes de ser engarrafado.








VODKA, como degustá-la 

Beber vodka é mais que um costume russo, a bebida é um orgulho nacional. Para manter essa cultura multissecular, existe todo um ritual, que pode ser seguido, ou não,  pelos apreciadores desse destilado, o mais importante é ter prazer, sempre.
Os russos dizem que a vodka deve ser bebida de uma maneira simples, em um trago só e muito gelada.
Com relação ao acondicionamento da bebida, alguns preferem deixá-la na gelaria, outros em temperatura ambiente, e muitos preferem deixá-la no freezer - isso faz com que a vodka fique com aquele aspecto de "cremosidade" (essa sensação acontece pois as moléculas de água ficam mais densas em baixas temperaturas). Os russos preferem enterrá-la diretamente na neve, para depois consumí-la.
Há quem diga que o gosto desse destilado muda de acordo com a temperatura de serviço, quem decidirá como degustá-la, é o apreciador da vodka, já que o paladar é muito individual.
A conservação da vodka depois de aberta é ilimitada, desde que seja guardada bem fechada e em local adequado, para evitar a interferência de aromas ou de partículas de sujeira soltas no ar. (Seja dentro ou fora do freezer/geladeira, tanto faz.)

 O COPO

Quando um apreciador vai degustar a vodka em seu estado puro, é necessário a utilização de um copo adequado para isso. O copo é 50% do espírito da bebida. No caso desse destilado, o copo correto é o tipo "shot", só que para a vodka, ele tem que ter 80ml de capacidade. É um copo mais esguio que impõe o espírito correto da vodka; porém há quem prefira o bom e velho "old fashion" com 02 ou 03 pedras de gelo.


                          


Harmonizando para enriquecer o paladar

Depois de cada dose, o ideal é quebrar o sabor da bebida alcoólica com um petisco, e o que não falta é uma série de "tira-gostos" e pratos especiais para acompanhar a vodka.
O ideal para harmonizar com a vodka, são alimentos defumados e com pouco gordura, tipo: peixes e aves. As melhores harmonizações são com:

       SALMÃO DEFUMADO                                                    *CAVIAR BELUGA


       









             **BLINIS 






               
             
                                                           AMÊNDOAS













*CAVIAR BELUGA: esse tipo de caviar vem do peixe Esturjão Branco, é mais suave e delicado, é, também, o mais raro e o mais caro, com ovas maiores. Pode-se usar ainda, o caviar vermelho (ovas de salmão), que é mais barato e harmoniza igualmente com a vodka.
**BLINIS: são panquecas russas. Os russos costumam comer blinis com caviar, mas também é possível saboreá-los com suor cream (ou coalhada fresca), salmão defumado, manteiga e geléia.


Ou ainda, vale a pena tentar degustar a vodka harmonizada com: batatas cozidas, cogumelos marinados, legumes/ frutas em conserva(pepinos, tomates, mirtilos, maças) e até com chucrute.

É sempre bom lembrar que queijos, peixe cozido ou embutidos, NÃO fazem uma "harmonização dos sonhos" com a vodka, então, é melhor evitar.

Vai um drink aí?

A vodka é mais consumida em países com clima muito frio do leste europeu, como Rússia, Bielorrússia, Polônia, Ucrânia e nos países nórdicos. Apesar de ser consumida pura nos países onde é mais popular, a vodka, no resto do mundo, é consumida em misturas com outras bebidas, como sucos de frutas ou refrigerantes. A vodka tornou-se muito popular no mundo todo a partir dos anos 70, quando vários barmen começaram a substituir bebidas destiladas tradicionais pela vodka, na preparação dos coquetéis. Atualmente, esse destilado é essencial em qualquer bar.
Um dos drinks mais famosos feitos com vodka é o Cosmopolitan. Esse coquetel foi popularizado por ser um dos drinks preferidos da diva Madonna e também por ser companhia constante das atrizes da série de TV "Sex And The City".

Vamos à ele!

Ingredientes:

30 ml de vodka
30ml de suco de cramberry
10ml de Cointreau
10ml de suco de limão
1 casca de laranja

Preparo:

Na coqueteleira, misture os ingredientes e gelo. Bata e sirva coado em copo "Short Drink". Adicione um "spray" da casca de laranja e decore com a casca.
Está pronto, agora é só se deliciar!


Para Vladimir Maiakóvisk, um famoso poeta russo: "É melhor morrer de VODKA do que morrer de TÉDIO", eu concordo plenamente com ele!


Na zdorovie! 
(Brinde feito na língua russa que significa "À sua saúde!")

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Vodka - Parte I: a mais pura das águas!

A história da Vodka

Sabe-se que essa bebida é originária da Europa Oriental e que é conhecida como a bebida nacional russa; porém, não se sabe ao certo se provém da Rússia ou da Polônia, e é bem provável que essa dúvida permanecerá. Por sempre ter sido uma região de muitos conflitos, batalhas, conquistas e reconquistas por diferentes grupos políticos e sociais, dificilmente o grupo étnico, inventor da primeira versão da vodka, será algum dia conhecido.

O que não nos deixa dúvidas, é que a palavra "vodka" é nativa da Rússia, cujo o surgimento se deu no século XIV; seu real significado é: "aguinha". Supõe-se que o motivo pelo qual uma bebida alcoólica forte tenha recebido o nome de vodka (aguinha) se deva à importância que os russos davam à água proveniente de suas fontes e rios cristalinos como base para a produção de todas as bebidas. Vem daí, também, o motivo pelo qual outras bebidas destiladas do leste europeu receberem o nome de acqua vitae (água da vida).

O protótipo da vodka, era um destilado produzido a partir do suco da uva fermentado, e foi levado até a Rússia pelos genoveses, que estavam a caminho da Lituânia para estabelecer relações comerciais com essa parte da Europa. O caminho traçado pelos genoveses passava por Moscou, lá foram recebidos pelo príncipe da época (Dmítri Donskói) e lisonjeados com sua hospitalidade, o presentearam com essa bebida embriagante; entretanto, nessa época, os russos davam preferência à bebidas alcóolicas provenientes do mel (hidromel - obtido através da fermentação do mel) e também à cerveja (obtida a partir da fermentação de cereais).

Em 1429, o protótipo de vodka foi novamente levado à Moscou por estrangeiros, mas dessa vez, essa "acqua vitae" foi usada como medicamento e não mais como bebida alcoólica. É muito provável que o uso do álcool como medicamento deu impulso à produção da vodka russa. Seja como for, no século XV, nos mosteiros da Rússia moscovita, começou-se a produzir vodka de trigo russo. (O trigo é uma matéria-prima abundante na Rússia; ao contrário da uva, que era a matéria-prima usada no protótipo da vodka.)

No século XVI, a vodka passou a ser um produto de exportação russo e hoje ela é o terceiro destilado mais consumido no mundo (perdendo para o "Soju", que é uma espécie de cachaça asiática, e para o conhaque).

Como é produzido esse destilado incolor, quase insípido e inodoro?

Vodka é uma bebida destilada, com teor alcoólico que varia entre 35º e 60º, obtida a partir da fermentação de alguns cereais ou tubérculos, tipo: arroz (em países como China e Japão, onde essa matéria-prima é mais abundante) e cevada, centeio, trigo, ervas, figos ou batatas (em países como Rússia e Polônia, onde existe maior fartura desses produtos). Cada um desses ingredientes, confere à bebida sabor e qualidade diferentes, a fórmula para a produção desse destilado, vai variar de acordo com a região na qual for produzido.

O processo de produção da vodka é bastante complexo e envolve várias fases e ingredientes diversos.


As principais fases desse processo podem ser assim divididas:

1- Fermentação: É o processo de transformação dos açúcares dos cereais e tubérculos em álcool. A partir da fermentação, é obtido um líquido de baixo teor alcoólico e com o sabor característico da matéria-prima usada, chamado mosto, que será levado para a fase seguinte: a destilação.

processo de fermentação

2- Destilação e retificação: A destilação é um processo de purificação do mosto e separação da água e do álcool. Entende-se por bebida destilada, toda aquela que passa por um processo de aquecimento e consequente vaporização do álcool , para depois condensá-lo e recolhê-lo em outro recipiente. A retificação tem o papel de retirar algumas impurezas desse álcool condensado. Esses dois processos são repetidos várias vezes, até que se obtenha um destilado de altíssimo teor alcóolico (90%), que depois é misturado com água, até atingir o teor alcoólico desejado. Por ainda sobrarem impurezas, faz-se necessário uma outra fase nesse processo de produção da vodka: a filtração e a purificação.

destilação e retificação

3 - Filtração e Purificação: essas etapas, tem por objetivo tornar a vodka pura. Aqui são retiradas todas as impurezas das fases anteriores. O processo de filtração pode ser feito por filtros de carvão ou por filtros de membrana. Após todas essas etapas, o produto final obtido é extremamente puro, de alta concentração e geralmente sem odor, sem sabor e sem cor; por tal motivo, algumas vodkas passam pelo processo de aromatização - essa fase do processo de produção é uma etapa facultativa.

4 - Aromatização: nesse processo podem ser utilizados café, ervas, frutas, pimenta, etc., para conferir aroma e sabor ao destilado.



Essa vodka é boa?

É durante o processo de produção que será definida a qualidade desse destilado.

A origem de produção, ingredientes selecionados e a água, são fatores determinantes para se produzir uma boa vodka, além disso, tem-se que levar em consideração outros itens que podem alterar o aroma e o sabor do produto final, tais como: - a fórmula usada na produção da bebida; - a quantidade de destilações que ela sofreu; - e se houve ou não o uso de filtro de carvão.

Principais regiões produtoras

A Europa Oriental é a terra da produção de vodka, as características desse destilado variam de acordo com o lugar de sua procedência. As vodkas russas, por exemplo, tem um paladar levemente oleoso e suave, não possuem o sabor adocicado das vodkas polonesas; seu sabor é marcante e agradável. Já as vodkas polonesas, primam pela pureza, tem sabor e aroma mais acentuados que as vodkas ocidentais, são suaves, adocicadas e discretamente oleosas.

Os principais países produtores da Europa Oriental, são:

* Rússia, Ucrania e Belarus (antiga Bielo-Rússia), produzem todas as variedades de tipos de vodka, e são geralmente conhecidas como líderes na produção desse destilado, somente as melhores marcas, todas fermentadas de centeio e trigo, são exportadas para o Ocidente.









VODKA RUSSA - STOLICHNAYA














VODKA UCRANIANA - TSASIRSKA

















VODKA BIELORRUSSA - MINSKAYA








* Polônia: produz e exporta tanto a vodka baseada em grãos, quanto a produzida com batatas. A maioria das marcas de alta qualidade produzem em pouca quantidade.







VODKA POLONESA - BELVEDERE
                                (centeio)












VODKA POLONESA - STAWSKI
                            (batata)








*Filândia: juntamente com os Estados Bálticos da Estônia e Lituânia, produz, principalmente, vodkas baseadas em grãos, majoritariamente, usam o trigo.






VODKA FINLANDESA - FINLANDIA







*Suécia: tem, em décadas recentes, desenvolvido um substancial mercado de exportação para suas vodkas baseadas no trigo, sejam puras ou aromatizadas/saborizadas.






VODKA SUECA - ABSOLUT






A Europa Ocidental, tem marcas locais de vodka, onde existem destilarias. A matéria-prima desse destilado, pode ser o grão (no Reino Unido, na Holanda e na Alemanha) ou a uva (em regiões produtoras de vinho, como a França e a Itália). Um exemplo de vodka francesa produzida a partir de uvas é a famosa Cîroc.







VODKA FRANCESA - CÎROC
                    (uva)






As vodkas européias e americanas, são caracterizadas por sua pureza e claridade, possuem aroma neutro, sabor de álcool limpo e são suaves. Devido às técnicas de produção, esse destilado possui mínimas quantidades de resíduos aromáticos e de sabor.

Os principais países produtores nas Américas, na Oceania e na Ásia, são:

*Estados Unidos e Canadá: produzem um destilado sem sabor e com os mais variados tipos de grão e com o melaço. As vodkas americanas, são, por lei, neutras, por isso a distinção entre as marcas se faz mais pelo preço do que pelo sabor.







VODKA AMERICANA - SKYY













VODKA CANADENSE - ICEBERG






*Caribe: produz uma quantidade grande de vodka a partir do melaço. A maioria é exportada para mistura e engarrafamento em outros países.

*Austrália: produz vodka a partir do melaço, mas é pouco exportada.








VODKA AUSTRALIANA - VODKA O






*Ásia: tem um pequeno porte em produção local de vodka, o melhor da produção vem do Japão.





VODKA JAPONESA - KISSUI






Agora que já sabemos um pouco sobre a história, a técnica de produção e países produtores desse destilado, na próxima postagem, vou falar um pouco sobre as curiosidades e frivolidades do mundo da vodka, afinal de contas:

"A gente não quer só comida, a gente quer BEBIDA, diversão e arte!"