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terça-feira, 23 de junho de 2015

Água mineral: sempre uma boa pedida!

Desde a antiguidade, a água sempre esteve ligada à saúde, à beleza, à purificação, à religião e começou a ser explorada comercialmente por volta de 1900, com a marca francesa Evian.

Hoje, a água mineral engarrafa é a bebida cujo o consumo mais cresce no mundo, e até o mercado de luxo entrou para o ramo; chique tem sido conseguir água de locais alternativos como Groelândia, Japão, Ilhas Fiji. Por uma garrafa desses produtos especiais, pessoas pagam valores equivalentes às de vinho.

A água mais cara do mundo é a Bling H2O, ela é extraída a 800 metros de profundidade, em Smokey Mountains, no Tenesse; sua garrafa é decorada manualmente com cristais Swarovski, e se você quiser degustá-la, esteja preparado para desembolsar cerca de US$ 60 por uma garrafinha de 750 ml.




Devido à uma grande demanda de sofisticação e à exigência de um consumidor cada vez mais ávido por novidades, surge uma nova profissão: o "sommelier de águas". Alguns restaurantes passaram a apostar em "Carta de Águas" (além da Carta de Vinhos ou do cardápio de bebidas), para que os clientes possam fazer harmonizações com as refeições. Em São Paulo, pode-se encontrar tal requinte em restaurantes como Fasano, Parigi, D.O.M, Maní. 

Sabe-se que a água não deve ter cheiro, sabor ou cor, porém existem alguns aspectos que devem ser observados e que desfazem o mito de que "água é tudo igual"! As águas podem ser oleosas, secas, metálicas encorpadas, adstringentes e até picantes; o que definirá como será uma água, é a quantidade e a variedade de sais que estão nela incorporados.


As águas minerais são classificadas por critérios semelhantes aos vinhos, como: bouquet, retrogosto, notas de sabor e diferenças de origem.


Entende-se por água mineral (gasosa ou não gasosa) aquela que tem origem em fontes naturais ou artificiais e que possui componentes químicos adicionados, como: sais, compostos de enxofre e gases, que já vem dissolvidos na água e não são visíveis a olho nu. Toda água mineral, por mais pura que seja, possui uma certa quantidade de sais. 


As águas minerais engarrafadas podem ser oriundas de:


-Fontes Naturais, como: as das marcas Evian, Levíssima ou Trinity;

                         

                                                

-Aquíferos Artesianos, como: a Fiji e a Voss;

                                                                    
 












-Poços Artesianos, como: a Highlands Springs, Tau e Hildon;

















   


-Chuva, tais como: a Cape Grim, Cloud Juice, Oregon Rain;






-Glaciais e Icebergs, como: a Iceberg Water;






-Lagos, rios, reservatórios e água do mar dessalinizada.

A água mineral gasosa, pode ser:


Naturalmente gaseificada - geralmente sua origem é vulcânica e tem propriedades consideradas curativas. Tais como:


Badoit


Apollinaris




Cambuquira (nacional)


• Artificialmente gaseificada - o gás carbônico é injetado para ocasionar as refrescantes bolhas, esse processo foi descoberto em 1772. Um exemplo é a Minalba com gás.




• Água gasosa reforçada - é uma água naturalmente gaseificada, reforçada com a injeção de gás carbônico para que sua durabilidade aumente, como é o caso da Perrier.




Cada tipo de água mineral, harmoniza melhor com determinado prato e pode ser uma boa opção para o "motorista da rodada", para um abstêmio, para quem não quer bebidas alcoólicas, ou para quem quer ter uma experiência diferente, seguem algumas sugestões:


- Água Perrier Perrier (França), vai bem com Ravioli de Pato;






- Água Mineral Badoit (França), combina com um belo Brasato ao Barolo;






- Água Mineral Prata (Brasil) - sem gás, harmoniza com ostras frescas;

- Água Mineral Panna (Itália), vai muito bem com queijos do tipo emmental;



- Água Mineral Pedras Salgadas (Portugal), combina com um bom leitão à pururuca;




Como regra geral, deve-se observar que pratos de sabor delicado e de consistência macia, são melhor harmonizados com água sem gás, e pratos com muito sabor e consistentes, vão melhor com água com gás.

Mergulhar no mundo da água mineral é fascinante e esclarecedor, não existe nada melhor que "matar a sede" com muita classe!

O sábio Benjamin Franklin dizia: "Toma conselhos com vinho, mas toma decisões com água".

Um brinde à fonte da vida!










quinta-feira, 19 de março de 2015

Enogastronomia - uma breve introdução ao conceito.

Enogastronomia é a arte de harmonizar os vinhos e os alimentos em uma mesma refeição, essa arte abre as portas para o fascinante mundo dos aromas, sabores e texturas.



A relação de amor entre o vinho e a comida é conhecida há muitos séculos e vem sendo aprimorada desde então. Pode-se dizer que a harmonização é o casamento perfeito entre eles, evitando que um sobressaia sobre o outro. No passado, tanto as opções gastronômicas, quanto as opções de vinhos eram restritas, e isso simplificava a escolha do vinho mais adequado para cada tipo de prato. 

Nos dias atuais, temos que lhe dar com vertentes muito mais amplas, tais como: pratos da culinária indiana, árabe, brasileira, chinesa, japonesa, tailandesa e tantos outros que já fazem parte do nosso dia a dia. Houve, também, uma grande ampliação na variedade de vinhos, regiões e países produtores. Nessas horas, devido ao grande número de possibilidades de harmonização, estar por dentro da cultura do vinho se faz bastante necessário.


Quando se pensa em fazer uma harmonização, existem alguns fatores que podem influenciá-la, como: - a receita proposta pelo chef; - as tradições e costumes locais; - o gosto pessoal; - o fator cultural; - a temperatura de serviço do vinho e do prato.Além disso, existem algumas regras e técnicas que podem ajudar na melhor compatibilização entre o alimento e a bebida.


O primeiro passo é decidir o que escolher antes: o vinho ou a comida, essa é sempre a grande questão. A resposta vai depender do local em que se estiver e em qual situação. Se estiver em um restaurante, o mais sensato é escolher primeiro o prato e então decidir pela melhor harmonização com o vinho. No entanto, se estiver em um jantar com amigos, ou em um restaurante conhecido por sua carta de vinhos, ou se souber que há na casa um sommelier para auxiliar, então, o melhor seria escolher o vinho e depois o prato para o casamento ideal. Com a escolha feita, seja do vinho ou do prato, deve-se atentar para algumas regras de harmonizações generalizadas, tais como:


Vinho Tinto – sempre vai melhor com carnes.
Tinto seco leve – carnes vermelhas fritas ou grelhadas, frango assado ou cozido, pizzas.

Tinto seco encorpado – carnes assadas e queijos brancos, como o brie e o camembert caem bem;

Tinto leve – massas com molhos leves.
Tinto encorpado – queijos duros, como o provolone.
Tinto seco – massas com molho de tomate, ou com molho de ervas ou ainda com molho condimentado, além de queijos amarelos, como o parmesão e gouda, e frios em geral são combinações perfeitas.
Vinho Branco – os vinhos brancos, são melhores quando harmonizados com peixes e frutos do mar, e quase nunca combinam com comidas muito temperadas e carnes vermelhas.
Vinho Rosé – ótimo com carnes magras grelhadas, frango assado, verduras gratinadas, massas italianas, charcutaria, entradas, tortilhas e omeletes.
Espumantes – são flexíveis e vão bem com diversos pratos, tais como: peixes defumados (salmão), carnes gordas assadas (leitão, porco), aves assadas (frango, pato).
Vinho do Porto – frutas secas, bolos, queijos azuis, sorvetes e sobremesas são boas combinações.


Jean Anthelme Brillat Savarin, o pai da gastronomia, disse: “Uma refeição sem vinho é como um dia sem sol”, porém, a escolha errada de um vinho para acompanhar um prato específico, pode tornar a experiência da refeição em um momento não tão prazeroso quanto deveria ser. 

Com o intuito de maximizar e potencializar tanto a expressão do prato, quanto a expressão do vinho, seguem algunas harmonizações retiradas do livro  “Wine with food” da autora Joanna Simon: 

Alcachofra: vinhos modernos gregos e húngaros, Sauvignon Blanc da Nova Zelândia, Rioja branco jovem ou um Chardonnay vivo.
Antepasto: tintos ou brancos leves, italianos como o Dolcetto ou o Verdicchio; ou um rosè seco.

 Atum: Pinot Noir ou Merlot do Novo Mundo; ou um Chardonnay (branco) da Califórnia.

 Bacalhoada: brancos densos e bem secos, como o Chablis Premier Cru; ou tintos jovens como o Sancerre.
 Carpaccio: tintos refrescantes como o Dolcetto; tintos toscanos de qualidade como o Carignano; ou Champagne Rosè.
 Caviar: Champagne Brut Pas Dosage.
 Ceviche: Sauvignon Blanc do Chile ou da Nova Zelândia; ou Vinho Verde seco.
 Cheesecake: Moscatéis da Califórnia; ou Sauternes; ou Asti.
 Chocolate: Málaga; ou Porto; ou Banyuls – vinhos doces fortificados.
 Comida chinesa: Riesling Kabinett; ou Sauvignon Blanc da Nova Zelândia; ou Gewurztraminer.
 Comida thai: vinhos brancos do Vale do Loire; ou Sauvignon Blanc da Nova Zelândia.
 Embutidos: tintos jovens como Beaujolais; ou Chinon: ou Cabernet Sauvignon chileno; ou Pinot Noir suíço.
 Espaghette: com molhos de carne – tintos frutados como o Chianti Classico; à carbonara ou com molhos de creme – brancos refrescantes como o Pinot Grigio ou Collio.
 Filé Mignon: Cabernet Sauvignon de primeira linha; ou Syrah; ou Rhône; ou Nebbiolo; ou Sangiovese – tintos bem estruturados.
 Foie Gras: brancos doces concentrados como Sauternes; ou Jurançon; ou Recioto di Soave.
 Fondue de carne: Cabernet Sauvignon da Califórnia; ou de Coonawara (Austrália).
 Fondue de queijo: Chardonnay da Califórnia – brancos bem estruturados.
 Frango: muitos tipos de tintos e brancos, de um tinto Bergerac a um branco Saint-Véran. (Vai depender do tipo de preparo e da sofisticação do prato)
 Frutos do mar: Champagne; ou Sauvignon Blanc do Novo Mundo; ou Cardonnay.
 Kebab: tintos frutados como Tempranillo; ou Zinfandel; ou Douro; ou Alentejo.
 Lagosta: Chardonnays, especialmente os Borganhas; ou Champagne rosè.
 Lasanha: Rosso di Montalcino; ou Primitivo.
 Linguado: brancos da Borgonha; ou Graves; ou Arneis.
 Nhoque: brancos leves como o Pinot Grigio; ou tintos como o Valpolicella.
 Ostras: Chablis; ou Champagnes.
 Pizzas: tintos frutados e refrescantes como Chianti Rufino; ou brancos de meio corpo como Chardonnay da Califórnia.
 Sopas: Xerez seco.
 Sushis: Champagne; ou Riesling Kabinett alemão; ou Riesling australiano.
 Tapas: Xerez fino; ou Sancerre; ou rosè de Provence.
 Tempura: Sancerre; ou Chablis.
 Vitelo: brancos secos como os Borgonhas; ou Tokay Pinot Gris da Alsácia; ou grandes tintos como Pommard; ou Bordeaux.


Com relação à gastronomia brasileira, que tal harmonizar a feijoada com um vinho frisante ou um espumante rosé e esquecer da caipirinha? 




Quer tentar algo mais ousado? Harmonize pastel de carne com Champagne rosé; a “frescura” vai valer a pena! 

          

Tem morangos para a sobremesa? Harmonize com um Moscatel espumante nacional, vai ficar irresistível!



O importante, mesmo, é não se deixar limitar. O vinho, é uma questão de gosto. O melhor a fazer é seguir os seus instintos e tentar novas experiências. Usar o seu bom senso, moldar a harmonização ao seu gosto, sempre evoluindo aos poucos e no final se permitir novas descobertas.

Agora, é só aproveitar e se deliciar com os prazeres que a vida nos oferece.

Bon appétit!